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Claro, vamos fazer um sistema para proteger a todos. Um sistema que seja global e único. E esse sistema será econômico. Para nos proteger criaremos o sistema, para dar segurança criaremos o sistema. O sistema econômico trará segurança e paz. Sim.
Como um robô. E Isaac Asimov já dissera tudo sobre os sistemas para nos proteger. Ele já falara sobre a super-proteção e seus efeitos. Os robôs, criados para nossa segurança (quero dizer, para manutenção do sistema, SEMPRE…), acabam ‘enjaulando’ os homens, para nossa segurança.
É. Exatamente isso foi o que aconteceu com a economia global. Aconteceu não, está acontecendo.
Quero dizer, não me rotulem por comunista, anti-capitalista, anti-futurista, anti-cultura ou sei lá mais o que. Esse não é o meu ponto. Eu REALMENTE (quase) concordo com o sistema econômico capitalista global… Ele só não é solidário, mas quem o é? As pessoas deveriam ser, todas, mas não são e… esse ainda não é o ponto. O ponto, se é que há um nesse texto, é a ironia.
Ah, assim.
Aqueles apreciadores de ironias, como eu, devem estar achando esse momento um grande cálice para ser degustado. Aos poucos, com moderação. Não é irônico? Pare mesmo pra pensar: a gente cria um sistema para nos proteger e começamos a depender dele de tal forma que não imaginamos mais nossas vidas fora desse sistema. Somos o próprio sistema. Esquecemos as nossas facetas políticas, sociais, filosóficas, artísticas, religiosas, éticas, o-que-valha… para dirigir nossa atenção ao lado econômico de TUDO, de TODA a vida. “Isso, humanos. Boa Idéia colocar todas as suas apostas em algo que criamos para nos dar segurança… é lógico, não?”
Mas então, aquilo que criamos para nos proteger é o que ameaça nos destruir. Não destruir somente os nossos bolsos, as nossas bolsas de valores, as nossas cidades e famílias… o próprio planeta em que vivemos. Destruição ambiental e tudo mais. Mas esse não era o ponto… (e começo a achar que não há ponto nenhum)
É só mais uma das ironias da vida a grande crise em que vivemos. Devemos degustá-la e digeri-la calmamente, de modo que teremos tempo para refletir novos valores e horizontes.
Quando a vida era mais tosca, tudo era mais simples. Pra começar não existia a nostalgia, afinal, como poderia existir se quase não existia o passado. É, isso faz do passado um lugar ameno e simples para procurarmos memórias (e lá vem a nostalgia de novo).
Mas o que me choca, e o que é mais engraçado, é que eu não sinto falta realmente daquela época. Eu gosto do momento em que estou, mas é bom lembrar (e às vezes, precisamos de lembrar de como tudo era mais fácil, mas pra quê? Pra afirmarmos que agora tudo é complicado e justificarmos o nosso fracasso? Não.).
Na minha mente só tem um ritmo agora, e figuras que nunca estiveram antes. É o presente. Foi o passado mesmo que me disse o quanto mudei… E foi o presente que disse que eu escrevo pra ninguém com a esperança de que alguém leia, mas quando alguém ler o que eu escrevi para que ninguém lesse, daí está tudo acabado.
O que mais eu quero nesse momento é força. Força de vontade.
Vontade eu tenho de sobra, pra muita coisa, mas é difícil ter a propulsão para a vontade se tornar o efeito.
“We’ll travel light… and that’s the life for us”
