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(Um outro dia)

Nem parece que essas férias de julho já estão no fim, assim como o mês.
Ainda encontro meu quarto desarrumado, como da última vez que o viu: com a mochila jogada num canto com aqueles livros que eu queria ter lido antes de os entregar. Ainda vejo todos aqueles cadernos e aquelas folhas espalhadas desde a última vez que me sentei para estudar para uma prova (um passado não muito longe), todas aquelas anotações sobre os dias contados que eu tive de fim de semestre, todos aqueles pequenos planos que se concretizavam com o passar do tempo e outros que seguiam e seguem esquecidos… Tenho, sobretudo, folhas em meu quarto.

É como se todo aquele ambiente fosse um imenso rascunho a espera de um momento em que tudo seria passado a limpo. Seria uma pequena arrumação para “inaugurar” o fim das férias.  [Pq "inaugurar" e não "encerrar"? nada se encerra.]
Meu quarto:
Um violão com cinco cordas novas a espera de uma sexta corda não é um violão.
O pijama largado em cima do aquecedor antes de colocá-lo.
Duas flores tentando sobreviver com suas últimas forças – vítimas de um atentado.
Um relógio de pulso que não mais se prende.
Um panda e algumas cartas.
Fotos e figuras.
E alguns papéis.
Tudo mais e eu.

AGRAVO PROVIDO DE PLANO.

(poema criado em maio)

Hoje eu iniciei
uma nova etapa
é o início do mês
ainda sei a data
em que eu quero constar
no seu diário
tirei os fantasmas
e monstros do seu armário

E olhando lá
eu vi as fotos
e aquelas cartas
de amores mortos

(mas não)
Não se esqueça de tentar
uma nova história
não procure se fechar
viva o agora
Eu não digo por dizer
o que é bom de ouvir
eu disse pela tarde
o que tu me faz sentir
(quando estou)

contigo
e mais ninguém
vivendo
tudo muito bem
sem pensar no que pode te trazer dor

Ela é a guria dos meus olhos
E nenhum dos teus espólios
Vão me fazer voltar
A não acreditar no que eu sinto
Pode até achar que minto
Eu não te impeço de tentar

(retirado do baú. – texto antigo ainda não publicado)

O silêncio é inquietante
E é o único que consegue me calar
Ele me faz pensar, procurar o saber.

A inspiração não chega enquanto converso
Ou enquanto ouço música
Ela me persegue é no silêncio, no nada.

O que é o nada,
Se não tua ausência ao meu lado?

Tu és tudo,
O silêncio e a balbúrdia;
O ser e o não ser;
Dilemas de uma vida vazia:
Sem o tudo,
No nada:
Sem ti!

Rolko_